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Entrevista com Duarte Pape, fundador da Paralelo Zero

Entrevista com Duarte Pape, fundador da Paralelo Zero

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Artigo escrito por Duarte Pape

O PARALELO ZERO, é um gabinete de arquitetura com sede em Lisboa focado em projetos de construção de raiz, reabilitação e recuperação dos quais se destacam algumas das mais conceituadas tech companies portuguesas.

 

Sumário:

 

  • Parte 1: Apresentação de Duarte Pape, fundador da Paralelo Zero
  • Parte 2: Descrição do percurso de Duarte Pape, fundador da Paralelo Zero
  • Parte 3: Descrição da Profissão e missões
  • Parte 4: Descrição das qualidades e competências
  • Parte 5: Perspetivas de desenvolvimentos para a empresa Paralelo Zero

 

 

Parte 1: Apresentação de Duarte Pape, fundador da Paralelo Zero

 

1. Apresente-se: o seu nome, idade, profissão, empresa.

 

A Paralelo Zero é um escritório de arquitectura fundado em 2013 que centra a sua prática na área do projecto em arquitectura e engenharia mas também na investigação sobre o património de origem colonial portuguesa especificamente na Guiné-Bissau e em São Tomé e Príncipe dando nome ao escritório, sendo o PARALELO ZERO o nome dado à linha imaginária que divide o pólo norte do pólo sul, também designada como linha do equador.

Os membros da equipa são autores de diversas publicações e comunicações dedicadas ao tema, em especial As Roças de São Tomé e Príncipe (2013) e BIJAGÓS: Património Arquitectónico (2016).

Ao longos dos anos, o escritório tem desenvolvido projectos de diversas escalas e programas, desde recuperação e reabilitação, construção de raiz ou escritórios, dos quais se destacam algumas das mais conceituadas tech companies portuguesas.

 

Parte 2: Descrição do percurso de Duarte Pape, fundador da Paralelo Zero

 

2. Qual é a sua experiência profissional? 

O percurso profissional iniciou-se em 2007 com o inicio da colaboração noutros escritórios de arquitectura de renome, nomeadamente Eduardo Souto Moura  ou Promontório Arquitectos, onde os seus sócios adquiriram experiência e conhecimento ao longo dos anos com envolvimento estreito em vários projectos de recuperação, habitação e hotelaria até formarem em 2013 o escritório Paralelo Zero.

 

3. Há quanto tempo exerce esta profissão?

Exercemos a profissão há 15 anos. Ainda somos uns TeenAgers na arquitectura,  under 40

 

4. Como chegou a esta posição / Como entrou para a empresa?

O escritório foi fundado com a oportunidade que nos foi dada para desenvolvermos vários projectos em São Tomé e Príncipe, nomeadamente na ilha do Príncipe. Nessa altura com o mercado da construção em baixa e com tendo atingido autonomia no desenvolvimento de todas as fases do projecto entendemos ser a oportunidade certa para nos lançarmos.

 

Parte 3: Descrição da Profissão e missões

 

5. Pode apresentar-nos a sua profissão e a sua empresa?

O escritório Paralelo Zero foca-se na prática do projecto de Arquitectura, desenvolvendo projectos em várias escalas e tipologias, desde habitação como o projecto de São Bento, escritórios (Talkdesk, Indiecampers, BCG ou Iberis Capital) ou edifícios multiusos como o do CUPAV.

 

6. Qual é o seu papel na empresa / Quais são as missões que lhe são confiadas?

O nosso papel enquanto sócios é o de acompanhamento e supervisão de todos os projectos, onde a gestão do cliente e coordenação da produção são missões fundamentais.

Um projecto de arquitectura tem diversos momentos com interação com diferentes actores ao longo de todo o processo, desde a concepção em que a interação se faz entre o gabinete e o cliente e equipa de projecto, até à fase de Licenciamento com interação com as Câmara Municipais até chegar à fase de construção com interação com empreiteiro, instaladores, fornecedores, carpinteiros, ladrilhadores entre outros.

 

7. Como é um dia típico?

Um dia típico é dividido entre tempo de escritório com interação com equipa de arquitectos que compõe o nosso escritório até reuniões de obra e de coordenação com os diferentes actores do processo.

 

8. Quais são, na sua opinião, os aspectos positivos deste trabalho?

Um dos aspectos mais positivos é de facto a possibilidade de interagir com diferentes pessoas e entidades que contribuem para o processo criativo e construtivo. São agentes com diferentes bases culturais e sociais para que trabalham para um objectivo comum. A Arquitectura é a sintese de todos esses contributos. A nossa missão passa por agregar todos os inputs e contributos para sintetizar num projecto que todos sentem que fazem ou fizeram parte. Realçamos bastante esse papel, quer internamente quer exteriormente à equipa. Todos sentem que o projecto é um resultado comum e não daquele individuo ou gabinete.

 

9. Quais são as principais dificuldades no seu trabalho?

As principais dificuldades prendem-se com os obstáculos legais que existem num processo de construção. Desde exigências técnicas muitas vezes desproporcionais aos casos concretos. Em reabilitação é bastante evidente, mas também exigências das Câmara Municipais, muitas vezes excessivamente burocráticas que condicionam o andamento e contínuo de um processo.

As demoras e exigências elevadas tornam o processo mais lento e mais caro o que gera demasiadas frustrações, quer nas equipas quer nos promotores.

 

10. Quais são as dificuldades que provavelmente encontrará quando estiver a trabalhar para desenvolver a notoriedade e aumentar a sua base de clientes?

A principal dificuldade poderá prender-se com o alinhamento prévio entre a exigência dos arquitectos com que o cliente procura. Não estamos focados na angariação de muitos clientes visto que procuramos dedicar tempo e atenção a cada projecto, seja um apartamento de 80 m2 como o que fizemos no Loft da Lapa ou a um projecto como o que estamos a fazer para o CUPAV com 2500 m2. O importante é o cliente e os arquitectos estarem alinhados no resultado final, no processo de interação, com algum tempo para maturar e produzir o projecto e não um processo de urgência, de rapidez porque a nossa experiência diz-nos que isso leva à tomada de decisões de forma precipitada que mais à frente quer o arquitecto quer o cliente quererão revisitar, o que é prejudicial para todas as partes.

 

Parte 4: Descrição das qualidades e competências

 

11. Quais são as qualidades necessárias para exercer a sua profissão?

Por um lado, uma capacidade de compreender cada interveniente, falar com um promotor é muito diferente de falar com o instalador ou carpinteireiro. São linguagens diferentes, objectivos diferentes e o arquitecto tem de ter essa capacidade de compreender o que vai no pensamento de cada interveniente. Por outro lado, ter capacidade criativa, não apenas no aspecto da produção e construção mas na resposta que dá a cada situação concreta.

 

12. Quais são as competências-chave da sua profissão?

-   Capacidade de compreensão; criatividade e empreendedorismo no sentido em que procurar a resposta passa sempre pela capacidade que o arquitecto tem de ir em busca da solução, muitas vezes é aqui que entra a criatividade.

O arquitecto tem de ter a capacidade de ver mais à frente, de antecipação do problema.

 

13. Quais são as ferramentas a dominar?

Além de ferramentas básicas para a produção de um projecto como as ferramentas BIM ( Archicad 3D), a ferramenta do desenho à mão é algo fundamental para toda a comunicação in loco e no momento.

 

14. Como é que se descreve no contexto profissional?

Iniciámos a nossa profissão em pós-crise de 2004 e 2008, sendo que nestes últimos 15 anos já passámos também por falências do estado e intervenções externas (FMI e troika), até à pandemia e agora crise da Rússia-Ucrânia.

O mercado está estável visto existir algum trabalho mas na realidade o historial tem sido bastante difícil e instável pelo que não se pode entender que o mercado esteja favorável.

 

Parte 5: Perspetivas de desenvolvimentos para a empresa Paralelo Zero

 

15. Quais são as perspectivas de desenvolvimento na sua posição?

Neste momento estamos focados em manter o escritório estável e com um crescimento sustentável, onde a seleção dos trabalhos é importante. O importante não é fazer muitos projetos mas poucos e bem feitos.

A nossa posição é de consolidação da situação atual e do crescimento sustentado do nosso negócio.

 

16. Algum plano para os próximos anos / meses?

O plano actual é de concluir com sucesso os projectos em curso, nomeadamente o projecto do CUPAV, que esperamos que esteja concluído a tempo das jornadas mundias da juventude em 2023. Trata-se de um centro universitário essencial para a cidade de Lisboa onde nos orgulhamos sermos os arquitectos.

Contudo, queremos continuar essa rota de desenvolvimento de projectos bem construídos e duradouros, é isso que nos motiva.

 

17. Uma breve palavra no final ?

Agradecemos esta oportunidade da Welink de expressar alguns dos nossos pensamentos e motivações.

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